segunda-feira, 4 de maio de 2015

Um pouco sobre o Bypass

1- O que é o Bypass gástrico?

O Bypass gástrico é a cirurgia de redução de estômago mais frequentemente realizada, sendo conhecida também como Gastroplastia em Y de Roux ou cirurgia de Fobi-Capella.

2- Como é realizada esta cirurgia?

Nessa cirurgia, o estômago é reduzido a um tamanho aproximado de 30 -40 ml, por meio da utilização de instrumentos chamados grampeadores cirúrgicos. Em seguida, o estômago reduzido é ligado diretamente ao intestino delgado (jejuno). O alimento ingerido irá assim percorrer 100cm de jejuno (alça alimentar – Figura 1) para então receber as secreções digestivas vindas do restante do estômago, figado e pâncreas (alça bilio-pancreática Figura 1),, na ligação entre a alça alimentar e a alça bilio-pancreática, chamada entero-anastomose. A partir daí, há mais 3 ou 4 metros de intestino pela frente, aonde ocorrerá a absorção de alimentos (alça comum). Não é retirado nenhum pedaço de intestino. Pode ser realizada por video-laparoscopia (pequenos cortes, com auxilio de vídeo) ou por laparotomia (corte grande). Deixamos rotineiramente um dreno (tubo de silicone) com o qual o paciente vai para casa e é retirado após 7 dias.

3- Quais são as vantagens e desvantagens desta cirurgia?

As maiores vantagens dessa cirurgia estão na boa perda de peso (35 a 40% em média) e na boa manutenção do peso ao longo dos anos, na grande melhora na saciedade ( o paciente sente menos fome) e no bom controle do diabetes, nos pacientes acometidos desta afecção. As desvantagens estão no fato de ser este um procedimento irreversível, na necessidade do uso de suplementos vitamínicos para o resto da vida e na possibilidade de reganho de peso a longo prazo, em particular nos pacientes comedores de doce ou carbohidratos em excesso, beliscadores e naqueles muito sedentários.

4- Como é o pós-operatório?

No pós-operatório imediato a maioria dos pacientes é encaminhada a sala de recuperação pós-anestésica e posteriormente ao apartamento hospitalar ou enfermaria. Alguns pacientes necessitam permanecer na UTI no primeiro dia de pós-operatório. Recomendamos que os pacientes comecem a caminhar tão logo estejam bem acordados pois essa medida ajuda a previnir a trombose venosa nas pernas e outras complicações. No pós-operatório imediato o paciente permanece em jejum. No dia seguinte pela manhã receberá para beber uma solução com um liquido azul (“azul-de-metileno”) que tem por objetivo testar o grampeamento e a costura do estômago. Sendo o teste negativo (sem ocorrer vazamento do liquido azul pelo dreno e com eliminação do mesmo pela urina) liberamos água, chá e caldos para o paciente beber conforme orientação passada previamente por nossa nutricionista. Na maioria dos casos o paciente recebe alta hospitalar após 48 horas da cirurgia, com as orientações de dieta passadas pela nutricionista. Retorna ao consultório para retirada dos pontos e do dreno entre o 6º e 8º dia de pós-operatório.

5- Quais as possíveis complicações nesse tipo de cirurgia?

Complicações clínicas (cardíacas, pulmonares, renais) pode ocorrer após qualquer tipo de cirurgia, sendo mais freqüentes após cirurgias de alta complexidade e em pacientes portadores de doenças de base predisponentes. O Bypass é uma cirurgia de alta complexidade e os pacientes são submetidos a avaliação clínica rigorosa no pré-operatório para diagnosticar e controlar condições pré-existentes.

As complicações cirúrgicas imediatas mais graves são o sangramento e a infecção. A infecção pós-operatória decorre geralmente de uma “fistula” ou vazamento do conteúdo gástrico ou intestinal por entre os grampos ou pelo local de costura do estômago ou do intestino. Pode levar a infecção grave e deve ser tratada precocemente, assim que se fizer o diagnóstico. A incidência desse tipo de complicação atualmente é baixa (aproximadamente 1%), dada a experiência adquirida com o método. Embora pouco freqüente, essa complicação pode levar ao óbito caso o diagnóstico seja feito tardiamente e/ou o paciente não responda às medidas terapêuticas adotadas.

As complicações tardias estão mais relacionadas a aspectos nutricionais. O desvio intestinal dificulta a absorção de alguns micronutrientes (ferro, cálcio, zinco, etc...)e algumas vitaminas (B12, B1, D). Por esta razão, pacientes submetidos a este método devem fazer uso regular de suplementos vitamínicos e minerais, além de realizar exames laboratoriais com certa freqüência, para dosagem desses elementos. Outra possível complicação tardia, que pode ocorrer em qualquer tipo de cirurgia em que se manipula o intestino, é a formação de aderências que eventualmente (incidência rara) podem predispor a ocorrência de obstrução intestinal e que requer tratamento cirúrgico.
Retirado do site CCO... Clínica do meu médico.

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